terça-feira, 21 de agosto de 2012

Diário de uma Anoréxica – Capítulo 5 – O convite


 

Arthur chegou por trás de mim e tapou meus olhos. Aquilo era tão irritante, mas naquele momento, sentir as mãos dele me fez ficar tão feliz, que eu abri o maior sorriso do mundo, me virando rapidamente para olha-lo. Arthur imediatamente me abraçou forte, me rodando no ar.

Depois de alguns minutos ele parou e olhou fixamente pra mim

- Agente definitivamente não consegue ficar separado- ele disse com o sorriso mais fofo do mundo

- Sem dúvidas... – eu disse quase hipnotizada – mas eu ainda estou magoada – eu disse me virando de repente e cruzando os, imitando uma criança emburrada

- Desculpa – ele disse me abraçando por tras – eu sei que fui um idiota, desculpa mesmo – ele disse, dando um beijo na minha bochecha

-Tá bom, vou considerar só por conta da nossa amizade – eu brinquei meu virando e retribuindo o beijo

- Prometo, que nunca mais vou fazer isso

- Huum... tá bom, me comoveu

- Eu atuo muito bem– ele disse pegando nossas mochilas do chão

- Você quis dizer que é muito cara de pau, né



Caminhamos animadamente, conversando, brincando, se empurrando, que nem percebemos que já estavamos bem proximos a escola.

- Ansiosa? – ele disse, olhando pra escola

- Um pouco, e você?

- Não – ele disse naturalmente, depois olhou pra mim – Os professores não são loucos pra terem nos separado. Eles imaginam a nossa força, podemos fazer uma rebelião, encendiar a escola, destripar os alunos... – ele disse, com uma voz malvada, me fazendo rir

Entramos e fomos procurar pelas listas do segundo ano.

- Arthur, Arthur, Arthur... – eu disse procurando o nome dele na lista- Aqui!!! Arthur Aguiar, você tá aqui, e... e... eu tambem!

- Caraca! A Soph, o Chay, o Mica, o Pedro, o Bernardo... estamos todos juntos!

- A sala é praticamente a mesma- eu observei mas, parece que percebemos aquilo ao mesmo tempo, quando nos olhamos – Aaaaaah muleeque! Mais um ano aprontando contigo!

- Eu não disse! Eles morrem de medo da gente – ele disse me abraçando

Depois disso, fomos correndo pra sala no segundo andar. Chegando lá, o Bernardo, e o Pedro, já nos esperavam animados

- Mais um ano juntos! – Pedro disse, erguendo o braço, parecendo que tinha ganhado uma guerra

- É... já são 6 anos com vocês dois! – eu disse, enquanto me sentava, na carteira logo a frente deles

- Esse ano vai ficar pra história! Professores... – Bernardo disse, desafiador – nos aguardem! O fundão voltou com força total! – ele disse, enquanto via Sophia se aproximar

- Oiii!!! – eu disse a abraçando

- Oi Amiga! Nossa, nem acredito que estamos juntas de novo – ela disse, fingindo secar uma lágrima

- E eu não acredito que vou ter que carregar as mochilas de vocês duas, de novo – Arthur disse desanimado, nos arrancando risadas



Ficamos brincando até a chegada do professor. O Micael não foi naquele dia, e de certa forma, eu até gostei. Ia me ajudar a esquecer aquilo o mais rápido possivel.

Os dois primeiros períodos passaram rapidamente. A maioria dos nossos professores até agora eram os mesmos. O terceiro período tava demorando um pouco, porque o professor de história quis nos mostrar um video chatissimo. Mas fomos salvos pelo sinal

- Ok turma, liberados para o lanche! Terminamos no nosso próximo encontro – disse o professor

- Espero que demore pelo menos 2 séculos – Bernardo disse, guardando os materiais

-Nossa, pra que agente tem que aprender sobre uma guerra que aconteceu há um século atrás? – Pedro perguntou desanimado

- Me pergunto exatamente a mesma coisa... – Arthur disse, guardando os materias

- Alguém entendeu alguma coisa? – Chay perguntou disfarçando

- Não, mas pelo menos nós prestamos atenção. E voce que ficou a aula toda de olho na gúria lá da frente? – Arthur disse brincalhão como sempre

- Own... o Chay tá gostando da Mel, que fofo – Sophia disse

- Porque? Ela tambem gosta de mim? – ele disse animado

- Não besta! Porque você tá apaixonado e finalmente vai para de pegar geral e entender o que é sofrer por uma pessoa que não te dá a minima – ela disse, arrancando risadas de todos

- Bora pra cantina? Tô morrendo de fome – Bernardo disse animado

- Eu tambem – Pedro se levantou e os meninos foram andando um pouco mais a frente

- Vamos? – Soph perguntou derrepente, e só então eu percebi que eu ainda estava sentada ali, pensando numa desculpa

- Huum, claro

Eu e Sophia fomos caminhando em silêncio até a cantina, ao contrário dos meninos, que faziam uma algazarra no corredor

- Oba! Bolo de morango! – Pedro disse jogando a mochila na cadeira e indo em direção a fila

- Meu favorito! – Chay disse, e Bernardo foi logo em seguida. Me sentei na cadeira e fiquei observando

- Quer que eu pegue um pra você? – Arthur perguntou atencioso como sempre

- Ah, não precisa. Não tô afim de comer bolo hoje. Vou ver o que tem de segunda opção – Eu disse me levantando

Aquilo não era só uma desculpa. E realmente não queria comer aquele bolo, me parecia tão estranho.E Aquele cheiro me dava um pouco de enjoo

Peguei um suco de laranja, e um pão integral. Passei o lanche quieta, sob o olhar atento da Soph, e rodeada por aquelas pessoas estranhamentes felizes comendo um bolo com 200.000 calorias. Meu suco sem adoçante parecia perfeitamente satisfatório, e até saboroso. Comi devagar pra acompanhar aquelas pessoas lerdas, e não despertar ainda mais a atenção da Soph.

Depois do lanche, voltamos para a sala e tivemos mais três períodos. Uma tontura fraca, me impedia as vezes de segurar a caneta com força, mas eu respirava fundo e ignorava.

Ás 12:30 em ponto o sinal tocou.

- Aaah finalmente!!!! – Chay pulou histérico da cadeira

- Relaxa cara, esse é o primeiro dia – Bernardo disse rindo

- E a Mel??? – Sophia perguntou maliciosa

- Mel? Que Mel? – ele disse meio sem jeito

- Ah, para de besteira Chay, vai lá falar com ela! – Soph disse o empurrando. Ele olhou pra mim com cara de “será?” e eu fiz um sinal positivamente o encorajando. Ele respirou fundo, e foi todo garanhão conversar com ela.

- Não se esqueça, aja naturalmente... – Bernardo disse rindo

-Bom, acho que ele vai demorar, vamos indo? – Arthur perguntou

- Ah não cara não perco isso por nada! – Pedro disse se acomodando encima de uma mesa

- Nosso bebe tá paquerando, isso é histórico! – Bernardo disse se sentando tambem

- Bem,eu acho que vou ficar com eles – Soph disse rindo, e sentando-se ao lado de Pedro. Arthur lhou sugestivamente pra mim

- Vou com você – eu disse pegando minha mochila

- Sabia que você não ia me abandonar – ele disse com um sorriso lindo

Fomos o caminho até minha casa todo em silêncio, o que era um pouco estranho. O Arthur chutava um pedrinha, e eu o observava discretamente encantada.

- Lu – o Arthur disse ainda um pouco hesitante

- Diga...

- Quer sair comigo hoje á noite – ele disse um pouco rapido demais

- Ah... – eu disse tentando encontrar as palavras – tá bom – eu disse rindo um pouco sem jeito – maaaas, algum motivo específico?

- Não, é que... sei lá. Faz tanto tempo que agente não sai juntos,e eu queria me deculpar.Fiquei sabendo que vai ter um peça muito legal, hoje... e como você goste de teatro eu pensei que talvez você ...

Eu o interrompi

- Claro que eu quero! – eu disse sorrindo idiotamente, sem ter a minima idéia de onde estava meu coração

- Tá bom então, mas será que sua mãe vai deixar? – ele perguntou, muito fofo

- Arthur, não acredito que vicê se preocupa com esse detalhe. Estamos falando da minha mããããe – eu disse pensando na reação dela

- É, ela quer que você saia mais, e tal... sua mãe é legal

- Será que pros seus pai, tá de boa?

- Tá sim – ele disse incrivelmente lindo

Nossas mães eram legais. Elas meio que torciam pra gente ficar junto, mas a mãe do Arthur sabia que ele era meio galinha e se preocupava comigo. Minha mãe só queria que eu fosse feliz, fizesse amigos, saisse mais de casa, e ela adorava o Arthur... dai já sai um torcida e tanto.

Quando chegamos perto da inha casa...

- Então tá combinado, te busco ás 19:00? – ele disse, pegando a pedrinha que ele chutava

- Combinado! Quer entrar? – eu disse pegando a chave na mochila

- Não, já vou indo – ele disse olhando piedosamente para a pedra

- Que foi?

- Nada, só tô com pena de deixar ela na rua – ele disse, me arrancando risadas

- Tá de brincadeira, né? – eu disse tentando me acalmar

- Não pô. A pedrinha tem sentimentos – ele disse rindo fraco

- A pedrinha ou você?

- Ah Lu, você entendeu. Vou guardar ela com muito carinho, ela me acompanhou num momento muito especial da minha vida

- Hã? – eu perguntei um pouco confusa

- Nada não, thau – ele disse,me dando um beijo na bochecha

- Tem certeza que não quer entrar?

- Quero não, mais tarde eu te ligo pra acertar os detalhes – ele disse, indo em direção a outra rua

- Tá bom – eu disse observando ele se afastar, até sumir completamente

Depois fechei o portão, e entrei pra dentro, sorrindo pras paredes.

Nenhum comentário:

Postar um comentário